terça-feira, 25 de setembro de 2012

Diagnóstico de Infarto Agudo do Miocádio na Era da Troponina Ultrassensível: Revendo conceitos.


Diagnóstico de Infarto Agudo do Miocádio na Era da Troponina Ultrassensível: Revendo conceitos....




Em 25 de agosto último durante o Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Munique, foi anunciada a Terceira Definição Universal de IAM com chancela das principais sociedades internacionais de cardiologia [European Society of Cardiology (ESC), the American College of Cardiology (ACC), the American Heart Association (AHA) and the World Heart Federation (WHF)] e publicada simultaneamente em 5 jornais de grande impacto (European Heart Journal, the Journal of the American College of CardiologyCirculationGlobal Heart and Nature Reviews Cardiology).

 Segundo o documento, a Third Universal Definition of Myocardial Infarction, é necessário considerarmos as elevações agudas (injúria miocárdica aguda e infarto agudo) das elevações crônicas. Nas elevações agudas temos a característica elevação e queda dos níveis de marcadores da injúria ou necrose, enquanto nos quadros crônicos os níveis se mantêm persistentemente elevados.



As causas de elevação das troponinas de origem não isquêmica também são citadas:


O documento recomenda a dosagem da troponina à admissão e com 3-6 horas após. Valores considerados elevados estão acima do percentil 99 do valor de referência (que varia conforme o Kit em uso).

O diagnóstico de IAM se baseia na elevação e queda dos níveis de troponina, com pelo menos 1 das dosagens acima do percentil 99, ALIADOS À ELEVADA PROBABILIDADE PRÉ-TESTE DE IAM (DOR TÍPICA/FATORES DE RISCO/ECG).
Outra grande contribuição do documento é a CLASSIFICAÇÃO UNIVERSAL DE IAM em 5 tipos:





Dois conceitos importantes são reforçados no documento:

- Infarto agudo recorrente: nova dor torácica com elevação dos MNM após os 28 dias do IAM inicial ou incidente (primeiro IAM).

- Reinfarto: novo IAM ocorrendo dentro dos 28 dias do IAM incidente.

Resta a questão da troponina ultrassensível, que ficou omissa do documento por não ser autorizada pelo FDA. NÃO RECOMENDA o uso de Troponinas ultrassensíveis, por sua variabilidade com o sexo e possibilidade de níveis detectáveis mesmo em pessoas normais. Não oferece um racional para o diagnóstico de IAM com este tipo de marcador.

Entretanto, Harvey D. White [American Heart Journal, 2010; (159(6): 933-936] define IAM conforme os valores de Troponina US, conforme fluxograma abaixo. Revisão do UpToDate utiliza apenas elevações acima de 50% (independente dos valores basais).
Em resumo, devemos permanecer utilizando a troponina I ou T, com sensibilidade e especificidade já bem conhecidas e equilibradas em detrimento à Troponina ultrassensível que é multo sensível, mas muito baixa especificidade, logo maior chance de falso positivos, com consequências perigosas para o paciente (internamentos, tratamentos e intervenções desnecessárias).
Até a próxima postagem.
Aguardo os comentários.
 
Marcia Cristina.

2 comentários:

  1. Realmente concordo que a troponina ultrassensivel ainda nao e o exame ideal para substituir as dosagens clássicas. E importante termos muito cuidado nos serviços que já disponibilizam esse exame, evitando-se assim iatrogenias. Abraços
    Cleobenysson Cruz

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  2. Muito boa a postagem chefa! inicialmente achei que a troponina ultra sensível ia ser super importante pra nós que lidamos com o paciente coronariano,porém, após ver algumas indicações de cateterismo, que vinham branco, devido a alta sensibilidade da mesma, vi que temos que ter bastante cautela ao lidarmos com ela.

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